Entre um trabalho e outro, dou uma paradinha... só para respirar. Passo por aqui e imagino estar entre almofadas ou sentada no tapete. Leio, escuto música, relembro filmes e trilhas sonoras (eu adoro !!!). Penso até no que incomoda ou revolta...não fujo! Lembro das amizades presentes e distantes, dos momentos felizes, engraçados ou picantes. Sinto saudade. Reorganizo as idéias e aí dá para relaxar. De quando em quando penso no trabalho ou assuntos voltados à minha área de atuação, mas não é este o objetivo principal. Quando sobra tempo, deixo uma postagem sobre estes temas e quero muito agradar. Vem comigo ! Deixe um comentário ou mande um e-mail. Vou adorar !

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

"História de Sophia" - "Transplante Hepático" - "Atresia de Vias Biliares"

- Estávamos, Antonio Pedro e eu, no consultório da Doutora Gilda. Decidimos levar Sophia, nossa filhinha até lá, em razão dela, com quatro meses, ainda encontrar-se ictérica, ou seja, "amarelinha". Aguardávamos a análise dos exames, uma vez que Sophia já havia sido examinada.

Doutora Gilda Porta, especialista em doenças de fígado infantil, olhou-nos e sem escolher palavras decretou “olha, sua filha possui "Atresia de Vias Biliares", uma doença muito grave, sem tratamento e sem cura. Ela irá morrer se não for submetida a um transplante de fígado”. Imagine, eu não acreditava no que ouvia, meu chão se abriu e a impressão que tive foi de que tudo acontecia em camêra lenta. Aquelas palavras soavam repetidas vezes aos meus ouvidos, como um eco. Olhei para o Antonio Pedro e desabei a chorar. A idéia que eu tinha de transplante era muito ruim e desvirtuada, pois lembrei-me das diversas pessoas que aguardam em filas de espera e acabam morrendo sem o órgão.

A doutora, então, anunciou “mas, tem uma boa notícia. O fígado é um órgão que pode ser transplantado “inter-vivos” e a compatibilidade é apenas sanguínea, ou seja, se um de vocês possuirem o mesmo tipo sanguíneo poderá doar parte do fígado a ela. E mais, o fígado é o único órgão que se regenera”. Tais palavras trouxeram alento, mas não abrandaram a dor que destruía meu coração. Eu não entendia o que tinha feito de errado. Nós, mães, sempre achamos que deixamos de fazer alguma coisa. A Sophia era uma criança alegre já aos quatro meses, sorridente, embora não se alimentasse bem e não dormisse bem. Lembro-me que nós revezávamos para ficar acordados. Ela chorava muito e depois da descoberta da doença é que entendemos o motivo.
Em um mês todos os exames foram realizados. Éramos compatíveis e ele decidiu doar parte de seu fígado. A cirurgia foi feita no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo com a equipe do Doutor Paulo Chap Chap. Durou mais de dez horas e foi um sucesso. Ambos, o pai e a filha estão ótimos. Ela leva uma vida normal como qualquer outra criança.

Decidi contar esta história, para alertar às pessoas que nem todo médico é gente. Existem muitos que são açougueiros, carniceiros e  mercenários, travestidos de médico. Não  estudam, não se atualizam, não sentem amor ao próximo e pouco se importam com a dor dos outros, condição, a meu ver, “sine qua non” para escolher tal profissão.

Antes de descobrir a doença de Sophia eu já havia a levado a dois pediatras que mandaram dar banho de sol, apesar dela apresentar todas as características da doença (com a barriguinha grande, olhos e corpinho amarelo ....). Ela perdeu a oportunidade de realizar a cirurgia de Casay, que poderia evitar o transplante, ou seja, impedir que seu fígado fosse jogado na lata do lixo(como aconteceu). Mas, esta cirurgia somente possui 20% de chance de dar certo se realizada até os dois meses de idade, o que já havia se passado, graças aos médicos ficarem dizendo para dar banho de sol, pedindo para aguardar e  receitando medicamentos paliativos etc.

Confesso que sou revoltada com isso!!! Então, àqueles que estiverem lendo, digo: não aceitem uma única opinião sobre doença alguma, ouçam outros médicos e procurem o melhor. Antonio Pedro, pai de Sophia, apesar de ser médico, também confiou nos primeiros atendimentos, acreditando na idoneidade dos colegas. Fico imaginando um leigo...o filho teria morrido como acontece todos os anos. Mas, agora, o importante é que ela está bem e também já tem um irmãozinho para lhe fazer companhia, o Marquinhos. Por isso,  somente voltei a trabalhar no ano passado, agora como advogada, quando a Sophia foi liberada para freqüentar a escolinha. Na época, quando deixei o hospital, sai com duas folhas de medicamentos para que fossem ministrados todos os dias, em vários horários. Eu  precisava acompanhá-la. Não dá para deixar na mão de babá, não é? Minha vida foi adiada, mas valeu a pena. Dia 24 de outubro passado Sophia fez cinco anos e está ótima. É inteligente, já é alfabetizada e conversa fazendo caras e bocas e com todos os "ss" no lugar. Linda !!!  Agradeço à Deus, à Dra. Gilda Porta, ao querido Dr. Paulo Chap Chap e a todos que de maneira direta ou indireta estiveram, juntamente conosco, lutando pela vida de Sophia. Obrigada !

Abraços,

Marcinha